Música Paranaense em Paris
No próximo dia 24 de março o
público curitibano terá a oportunidade de ouvir o concerto "Sabiá - a obra
de José da Cruz" com a Regional Jazz Band grupo curitibano liderado por Tiago Portella e Marilia Giller. O mesmo show
será apresentado em Paris no dia 30 de março, no Festival e Reencontres Internationales de Choro, onde ocorrerá o VIII
Festival du Club de Choro de Paris, que comemora dez anos. A Regional Jazz
Band, interpreta composições inéditas de compositores paranaenses, fruto da investigação
dos músicos e pesquisadores Marília Giller[2] e
Tiago Portella[3],
que desde 2005 iniciaram a pesquisa voltada para a música popular produzida no
Paraná, especificamente em Curitiba, durante a primeira metade do século XX.
Depois de resgatarem alguns
acervos musicais, feito um levantamento histórico, catalogação e análise de materiais
e partituras, os pesquisadores, no intuito de apresentar ao público os
resultados encontrados, montaram um concerto e uma exposição intitulada “Dos Regionais às Jazz Bands: Curitiba e a
música popular na primeira metade do século XX”[4], apresentando instrumentos
musicais, partituras manuscritas originais e imagens fotográficas de conjuntos
e personagens da música popular neste período, com obras musicais inéditas e
arranjos originais, puderam mostrar no concerto a sonoridade das orquestrações
da época, principalmente na formação jazz band, conjunto típico de salão,
constituído de instrumentos de sopro (saxofones, clarinetas, trombones e
trompetes) e de base rítmica formada basicamente por piano, contrabaixo e
bateria.
Foram objetos de estudo os acervos da Tupynamba Jazz band de Estefano João Giller, Regional dos
Irmãos Otto de Stacho Otto, Curityba Jazz band, Os Camaradas de Francisco
Pavelec, Regional Irmãos Todeschini/Tortato, Bloco Ideal Iguassu, Orchestra Jazz
Elite, Bando Alegre, Oriente Jazz band de Jorge Vosgrau, Iris jazz band e Ideal Jazz band de José da Cruz.
A pesquisa buscou evidências do
entrelaçamento cultural e dos movimentos sociais ocorridos nas primeiras
décadas do século XX, desenvolvidos nos principais centros urbanos, onde alguns
gêneros musicais se consagraram como populares. Tal processo, observado a
partir de reflexos da presença do choro e do jazz, com ênfase nas práticas
musicais realizadas no Paraná, analisando assim, as transformações culturais
ocorridas e delineando a rede de relações que constituiu a sociedade nesse
período.
Ao fazer esta investigação etnomusicológica,
com ênfase nas práticas musicais realizadas por conjuntos regionais e jazz bands, foram constatados reflexos
de processo híbridos no ambiente artístico da cidade, causado por vários
fatores, período que coincide com fluxo migratório que passou a definir o
ambiente urbano tornando Curitiba local para artistas estrangeiros, na maioria
europeus, músicos que integravam orquestras, conjuntos de câmara e também regionais
de choro e seresta, jazz bands, e
fanfarras. Muitos frequentavam espaços como o Pavilhão Carlos Gomes, Teatro
Hauer e Cine Teatro Mignon, a Sociedade Universal, o Clube Curitibano e o
Cassino do Ahú. Neste período polcas, maxixes, choros, valsas, tangos, fox-trotes,
habaneras, marchas carnavalescas, lundús, e tantos outros gêneros popularizaram-se,
tanto na capital Curitibana, quanto em Paranaguá, Antonina, Ponta Grossa e
Lapa, cidades chave na formação do estado do Paraná.
Esta
pesquisa ate agora vem acrescentando ao estudo da musica paranaense revelando
informações que estavam no esquecimento da comunidade, a abrangência deste
estudo mostra as características de uma época sonora e o valor da musica
paranaense somando com isto, a representatividade musical do povo brasileiro
num contexto maior.
JOSÉ
DA CRUZ
Campo Largo (PR) 1897-1952) Maestro,
flautista, arranjador e compositor. Radicou-se em Curitiba e foi responsável
pela criação de diversos grupos musicais, entre eles: Ideal Jazz Band. Íris
Jazz Band, José da Cruz e seus Solistas, Quinteto Carioca, Conjunto Caramurú,
dentre outros. Compôs diversas obras
durante sua trajetória artística. Falecido em 1952, sua música até hoje
permaneceu no silencio e possui rara beleza. No acervo do maestro, o mais
completo e significativo encontrado na pesquisa, foram encontrados 2.500 manuscritos,
dos quais 55 composições autorais, além de sucessos da época, com arranjos
completos e em sua maioria para formações jazz band.
Com
direção musical de Tiago Portella e artístico de Marilia Giller, foram escolhidos
alguns arranjos e feitas algumas adaptações e é esta sonoridade que será
apresentada no concerto "Sabiá - a obra de José da Cruz" no próximo
dia 24 de março em Curitiba, no teatro do Sesc Água Verde, para o público
curitibano. Serão executadas
11 músicas, todas compostas pelo Maestro José da Cruz, a saber: Caboclo Velho,
Pegue o Banjo, Murmúrios do Itambé, Visão dum Sonho, Viola Provocada, O Sabiá, Odah, Quê o Quê, Meu Padecer, Tristes Recordações
e Curitibano.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:
Renata Casimiro, Familia de Jose da Cruz, Edilene Guzzoni e Áquilla Maris Nicz e aos músicos da Regional Jazz Band
[1] A Regional Jazz Band é composta pelos
músicos Marilia Giller (piano e direção artística), Tiago Portella (cavaquinho
e direção musical), Clayton Silva (flauta transversal e flautim), Gustavo Bonin
(clarinete), Osmário Estevam Júnior (trombone e eufônio), Cássio Menin (violão
7 cordas), Hely Souza (contrabaixo acústico) e Alex Figueiredo (bateria), com
produção de Renata Casimiro (Otto Produções Artísticas).
[2]
Professora Piano popular e
Pratica de conjunto da Faculdade de Artes do Paraná (FAP/UNESPAR-2009),
Mestranda em Música / Etnomusicologia (UFPR- 2013); Especialização em Música
Popular Brasileira (Fap-2005); Bacharelado em Música Popular (Fap-2007)
Bacharelado em Pintura (Embap-1984). Atualmente é pesquisadora da música
Paranaense, membro do
Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Artes GIPA – FAP.
[3] Mestrando em Música (UFRJ- 2014);
Especialista em Música Popular Brasileira pela Faculdade de Artes do Paraná
(FAP); coordenou entre 2005 e 2010 a Oficina de Choro da FAP;
[4] Realizada no Museu Paranaense de Curitiba
(PR) entre os dias 6 de novembro de 2010 a 15 de fevereiro de 2011. Em setembro
de 2011 a sua segunda edição a exposição com apoio do Consulado Geral da
República da Polônia em Curitiba na Sociedade Tadeusz Kociuszko - Casa da
Cultura Polônia Brasil, encerrando no dia 30/09/2011, a terceira edição, foi no
Hall da FAP durante o 4º Encontro do Grupo de Pesquisa GIPA dez/2011.
O primeiro concerto foi no dia 06 de
novembro, em seguida no dia 11 de novembro de 2010, no Museu Paranaense de
Curitiba (PR). Uma terceira versão aconteceu no dia 26 de janeiro de 2011 no
SESC, durante a Oficina de Musica de Curitiba. Um pocket show foi apresentado
durante a vernissage na Sociedade Tadeusz Kociuszko Curitiba 2011.




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